Hoje é

Escrevendo a História com Imagens Fotográficas: historiografia das principais tendências no Brasil

>Associação nacional de História

Na fotografia o historiador desnaturaliza a imagem: faz com que seu objeto, a
sociedade, tenha a sua natureza afetada. Isso é uma obviedade quando se trata de fotografias:
uma representação do real cuja fidelidade induz ao engano de quem a contempla, chegando-se
a pensar que o que está ali, visível aos olhos, é o real. Considera-se o tempo e as respectivas
ações de seus agentes como um enunciado: uma vez ocorrido, nunca mais repetido. É um
consenso que a fotografia eterniza determinado momento, apesar de não ser ela nada mais do
que uma representação, um objeto perfeito de ilusão que indica nada mais, nada menos, nas
palavras de Roland Barthes
, o que foi lá.

O pensamento de Barthes remonta a década de 1960, que por sua vez remeteu às origens
do estruturalismo, na década anterior, que, novamente e por sua vez, reelaborou suas teorias a
partir dos pressupostos desenvolvidos no início do século XX. A fotografia é anterior a tudo
isso. Quem disse que a história não se repete? Não se repete mesmo, já que o tempo tem a sua
particularidade e os seus agentes próprios. Retrocedamos de Barthes, à Lévi-Strauss e,
finalmente, a Charles Sanders Peirce e a Ferdinand Saussure. É na lingüística e na semiótica
clássica, no seu aspecto mais puro, que encontraremos a base do pensamento estruturalista.
Contemporâneos mas não conterrâneos, Peirce e Saussure revolucionaram o saber científico,
criando, cada qual, sistemas de interpretação até então inéditos, que passavam a tratar não
mais o mundo como tal, mas como um conjunto de códigos passíveis de sentido e,
conseqüentemente, de interpretação.
A base do pensamento lingüístico e semiótico, cada um com sua especificidade,
influenciou profundamente a produção das gerações seguintes. No que se referem ao campo
da imagem, as noções básicas de estudos categóricos do visível, de raízes mais simples e de
respostas mais complexas possíveis, calcaram-se na tríade geral do ícone, do índice e do
símbolo. O real enquanto linguagem passou e certamente continua passando para muitos, pela
verdade signíca da codificação. Ou seja, o real somente assim é considerado porque existe
uma interpretação sobre ele, tornando-o passível de ser interpretado como algo que é
considerado a realidade: o mundo resumiu-se à linguagem, como lembra Antoine
Compagnon
. Seríamos nós resultados de códigos, de signos, com uma lógica interpretável de
ser e estar no mundo?
A semiótica no seu estado puro desnaturalizou o objeto com a finalidade de conhecê-lo
melhor. A sua interpretação foi diacrônica e não sincrônica, a saber: buscou nos signos a
interpretação em si e não a relação com o que estava fora. Posteriormente, a pragmática,
enquanto ramificação e aperfeiçoamento teórico, tentou preencher esta lacuna. Mas como
falar em pragmática na História, pensando na fonte como suporte ao passado, um vestígio
para o historiador compreender o tempo que ele, na maioria dos casos, não vivenciou? Cabe a
nós resolvermos um dos principais desafios de nossa profissão, investindo no campo das
incertezas e das possibilidades.

Postar um comentário

“Só a educação liberta.” Epicteto

“Só a educação liberta.”  Epicteto

  © Copyright Chris Portugal DESIGN BY GaleriaPortugal 2009

VOLTARAO TOPO